quinta-feira, 19 de outubro de 2017

REVISTA BILLY THE KID & OUTRAS HISTÓRIAS - NÚMERO 27

Foi lançada pelo Arthur a revista Billy The Kid & Outras Histórias n. 27

HQs de Zalla, Wilski, Elthz e Arthur Filho; capas de Fabio Chibilski; artigo e poster Tex; Correio do Billy com
nova impressão e diagramação.
Editora Opção2 - capa em anexo
R$10,00 - vendo coleção completa com mais de 600 págs. de ação!
Pedidos: arthur.goju@bol.com.br


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

THE FEW AND CURSED – FELIPE CAGNO

THE FEW AND CURSED – FELIPE CAGNO

Felipe Cagno está novamente no catarse com as partes 3 e 4 da saga da Ruiva e já bateu a meta inicial de vendas. Tive o prazer de ler os dois primeiros PDF’s e posso dizer, sem medo de errar, que o material é de primeira, tendo ilustrações de feras dos quadrinhos nacionais e uma HQ intrigante, que prende a leitura até o final. A Ruiva é uma Caçadora de Maldições em um mundo pós-apocalíptico onde 90% da água do mundo simplesmente desapareceu da noite para o dia. Desde então, na busca incessante pela própria sobrevivência, a humanidade perdeu sua bússola moral e abriu as portas para o sobrenatural. Monstros, lendas, demônios, etc., sobrenatural. Tipo os Corvos de Mana’Olana, uma pequena cidadezinha na região das Montanhas de Honolulu (antigo Havaí). É de lá que vem uma lenda de Corvos gigantes que sequestram criancinhas e estraçalham adultos. É o tipo de lenda que a Ruiva adora investigar e botar um ponto final. The Few and Cursed é a série para quem curte Western, Ficção, Sobrenatural e muita aventura. Diversos brindes serão produzidos e ofertados para quem aderir à campanha do catarse. Além disso, o leitor poderá curtir realmente uma aventura cheia de suspense.
Quem se interessar poderá conhecer melhor o projeto em: https://www.catarse.me/ARuiva3 ou adquirir os anteriores com o Felipe, em seu Facebook: https://www.facebook.com/felipe.cagno.

JUVENATRIX 188 – RENATO ROSSATTI

JUVENATRIX 188 – RENATO ROSSATTI

Mais uma edição do fanzine de Renato Rossatti, em formato PDF, trazendo muita ficção científica e horror. Em suas 25 páginas, o fanzine traz contos de Angelo Júnior, Caio Alexandre Bezarias e Miguel Carqueija, resenha à antologia de ensaios “Medo de Palhaço”, organizada por Marcelo Milici, e aos filmes de cinema “Ao cair da noite”, “O Ataque do Tubarão de 5 Cabeças”, “As condenadas”, “El Caminante”, “Maciste no inferno” e “Os Mortos Falam”. Também muita divulgação e curiosidades sobre fanzines, livros, filmes e bandas independentes de rock extremo complementam a edição. A capa traz ilustração de Angelo Júnior. Quem se interessar poderá solicitar o PDF através do e-mail: renatorosatti@yahoo.com.br.

QUADRINHOS INDEPENDENTES 146 – EDGARD GUIMARÃES

QUADRINHOS INDEPENDENTES 146 – EDGARD GUIMARÃES

Mais uma edição do QI, editado por Edgard Guimarães, chega até nossas mãos e demonstra toda versatilidade e fôlego de divulgação de quadrinhos independentes, trazendo todas as novidades do meio alternativo de HQs nacionais. Essa edição tem 36 páginas e traz os artigos “O Anchieta de Colin” e “Os Sobrinhos de Mickey”, ambos escritos pelo editor. Também “Qual o primeiro Tarzan dos quadrinhos? ”, de Francisco Dourado, “O Brasil no cinema em 2017”, por Lio Guerra Bocorny e “Zorro era maçom? ”, de E. Figueiredo. Quadrinhos de Julie Albuquerque e Edgard Guimarães, além dos fóruns de divulgação e seção com cartas dos leitores, apresentando sempre muita interação entre os leitores do informativo. A capa tem ilustração do editor com detalhes coloridos à mão, dando a impressão a quem manuseia o fanzine do carinho de Edgard com o seu trabalho e com os quadrinhos nacionais. Para quem assina e recebe o informativo pelo correio, sempre um encarte superinteressante, com artigos pertinentes e de bom gosto. Neste número veio “O Pequeno Xerife – Xuxá, um estudo de Carlos Gonçalves, fartamente ilustrado, que traz a biografia desses dois personagens clássicos dos quadrinhos italianos, que tiveram edição no Brasil. Interessados em adquirir o impresso, o valor da assinatura é de R$ 25,00 anual e pode ser pedido através do e-mail: edgard.faria.guimaraes@gmail.com ou baixado em PDF no site Marca de Fantasia: http://marcadefantasia.com/camaradas/qi/quadrinhos-independentes.html.

CABAL 6 - CLODOALDO CRUZ

CABAL 6 – CLODOALDO CRUZ

Mais um impresso de Clodoaldo Cruz e desta vez com uma super homenagem ao Mestre Julio Shimamoto. Uma edição de impacto, com 4 capas em papel especial e brilhante, onde Clodoaldo relata um pouco da trajetória do Samurai dos Quadrinhos Nacionais, além, é claro, de capa e contracapa do mestre, sempre um show de ilustrações. Também nesta edição temos HQs do Mestre Shima, “Conte-nos sua História Macabra” e “Sangue”. O fanzine apresenta belas ilustrações em P&B e HQs de Carlos Henry, “A Fera do Subúrbio”, e do grande Airton Marcelino, “Os Mistérios de Avalon”. Flávio Calazans nos traz sempre uma HQ poética, “Angélica”. A edição traz ainda nomes como Márcio Sennes, Luiz Iório, Hélcio Rogério, Româo e não poderia faltar mais da série “Cat’s City”, o carro chefe do Cabal. Um fanzine de homenagem ao grande Shimamoto, mas também com quadrinhos de qualidade e muita aventura. O fanzine número 6 está disponível impresso, bem como as edições anteriores, ao preço de R$ 10,00 cada, já com frete incluso. Corre e peça o seu ao Clodoaldo Cruz, monte o seu combo e complete sua coleção. Página do Facebook de Clodoaldo: https://www.facebook.com/clodoaldo.cruz.5.

A SAMURAI – PRIMEIRA BATALHA – MYLLE SILVA

A SAMURAI – PRIMEIRA BATALHA – MYLLE SILVA

Michiko é uma jovem que foi vendida bebê para o okiya (a casa das gueixas) para ser treinada como uma delas. No entanto, seu maior sonho é encontrar a verdadeira família e, para realiza-lo, ela decide quebrar as regras da sociedade japonesa, estratificada e machista, para tornar-se uma samurai. Nesta HQ, encontraremos uma Michiko adolescente e inexperiente, que acabou de ingressar para o exército do daimyou (senhor feudal) Toyotomi. E, antes mesmo que ela pudesse refletir sobre como agir, a samurai iniciante é colocada em uma arriscada batalha que trará consequências irreversíveis para a sua vida. Essa edição que está no Catarse terá 64 páginas em PB, formato 15 cm x 21 cm. A HQ “A Samurai”, como anteriormente, foi dividida em 5 partes e distribuída para cada uma das minas que Mylle escolheu para o projeto e cada pedaço será contado sob um olhar feminino diferente e com o estilo de cada artista convidada. São elas: Renata Nolasco, Mary Cagnin, Chairim Arrais, Má Matiazi e Jéssica Lang, além, é claro de Mylle Silva. Mais informações sobre o projeto e como adquirir na página da Mylle, no Facebook: https://www.facebook.com/myllesilva ou no catarse: https://www.catarse.me/asamurai-primeira-batalha.

E no mundo dos Quadrinhos Nacionais... A RAINHA PIRATA - GISELA PIZZATTO e BRUNO BÜLL

E no mundo dos Quadrinhos Nacionais...

O movimento de HQs nacionais se mantém firme e forte, muitas produções sendo lançadas, sejam por financiamento coletivo ou por resistência dos bravos artistas nacionais. Opções não faltam para os apaixonados por quadrinhos, desde histórias de aventura, suspense, terror até quadrinhos autorais, sejam adaptações de obras já existentes ou novas ideias. Agora, um pouco dessa produção de fanzines e revistas independentes, aproveitem, ainda dá para pedir a maioria das edições divulgadas.


A RAINHA PIRATA – GISELA PIZZATTO E BRUNO BÜLL

A Rainha Pirata é uma História em Quadrinhos em formato de graphic novel, pintada e escrita por Gisela Pizzatto e desenhada por Bruno Büll, dividindo suas 80 páginas em três capítulos. Gisela conta, à sua própria maneira esta maravilhosa história, que se passa na Irlanda do século XVI e, em primeira pessoa, conta a história de Grace O’Malley, a mais famosa pirata que a História conhece. De sangue nobre, vinda de uma das baronias irlandesas, Grace pertence a uma família de homens com tradições marinheira, mas por ser mulher, seu destino está selado em terra firme. Contrariando tudo e todos, ainda adolescente ela decide que sua vida é o mar e se traveste de grumete (aprendiz de marinheiro), conseguindo assim embarcar em um dos navios de seu pai. E é então que inicia sua história e aventuras no oceano. Uma HQ comovente, de qualidade e que vale a pena ser adquirida. Pedidos com Gisela Pizzatto em seu Facebook. Preço: R$ 50,00 (impresso) e R$ 20,00 (digital em PDF).
Página de Gisela Pizzatto no Facebook: https://www.facebook.com/GisaPizzatto

Histórias em Quadrinhos um grande Legado para os Apaixonados! - MÚLTIPLO 12 - OUTUBRO 2017

Histórias em Quadrinhos um grande Legado para os Apaixonados!

Viajar pelos quadrinhos é poder falar de artistas importantes que lutaram e desbravaram estradas... Muitas vezes cavando oportunidades com suas próprias mãos, num pais onde não há muito apoio para educação e cultura. Em pleno 2017, ainda é difícil para um jovem de baixa renda ter fácil acesso à cultura e principalmente às artes.
E isso sempre foi assim. No início de 1800, a situação era muito pior. Até a chegada de um homem. Ângelo Agostini, quando chegou aqui em 1867, vindo da Itália, foi para São Paulo com a mãe, que era cantora Lírica. Os jornais da época só tinham escrita, nada de desenhos. E foi com os próprios desenhos que Angelo trouxe conhecimento para população. Naquele tempo, 85% da população era analfabeta. Só 15% sabia ler!
Foi aí que surgiu a importância das charges!
O povo começava a ver e a entender o país através dos desenhos, que narravam todas as ações do Imperador durante o Império.
Esse período foi um pouco complicado para Ângelo Agostini. O sucesso era grande, o reconhecimento também! Só que ele foi infeliz!
No dia de finados, no cemitério da Consolação, ele fez uma charge sobre "Os Mortos" e colocou caveiras dançando como se estivessem embriagadas.
Foi o suficiente para que a oligarquia o odiasse.
Para você ter uma ideia, o caso do cemitério da Consolação foi o primeiro processo contra jornalistas no Brasil. O processo não deu em nada, somente no quebra-quebra da sede do jornal onde Agostini trabalhava. Desapontado ele resolve ir para o RJ e aqui continua a caminhada com os desenhos que encantavam a todos.
Tinha uma impressora a vapor, onde produzia os próprios trabalhos. Ao lado do grande abolicionista Joaquim Nabuco, defendendo a causa da abolição, trazia para a população desenhos denunciando os maus tratos, o crematório onde os escravos eram colocados ainda vivos, a crueldade a que eles eram submetidos… uma luta grande! Isto foi importante!
O Diabo Coxo, Cabrião, Dom Quixote, Nhô Quim, foram obras e jornais feitos por Ângelo Agostini, que se tornaram nossas riquezas culturais. Agostini se tornou um grande homem da imprensa! Os quadrinhos não só servem para criação, diversão, mas também para expressar toda violência que alguém possa sofrer. Ele deixou uma cultura riquíssima das histórias em quadrinhos para ser contada de geração em geração, para nossos filhos, netos etc....
Se hoje podemos ler histórias em quadrinhos, e até colecionar volumes, devemos muito a Ângelo Agostini, que lá atrás começou essa ideia, com o objetivo de fazer a população analfabeta participar das coisas da sociedade.

Ágata Desmond
agatadesmondhqforever@gmail.com

ENTREVISTA COM RAFAEL SPACA (REVISTA BRAVO) - MÚLTIPLO 12 - OUTUBRO 2017


Ele é considerado um dos maiores talentos da sua geração. Sua pesquisa no campo cinematográfico vem descortinando temas e personagens que pareciam penalizados a ficar definitivamente à margem da história.
Além de pesquisador é criador.
Rubens Francisco Lucchetti o chama de “o incansável”.
Eis aqui um pouco do seu trabalho.


Entrevista Rafael Spaca

Qual a sua relação com as HQs? Como vê os quadrinhos no Brasil e os quadrinhistas de um modo geral?
A minha relação é a de um leitor voraz. Quando criança pedia de presente de aniversário a assinatura anual dos gibis da Turma da Mônica. Hoje estou produzindo as histórias do Adroaldo. Os quadrinhos no Brasil possuem um vigor impressionante, muita gente produzindo, e é uma produção de grande qualidade. A questão é que não há incentivo para essa produção ser difundida. E isso afeta sobremaneira o sistema editorial e as nossas HQs acabam ficando numa “semiclandestinidade”. O que é triste.

O que tem visto de bom no mercado nacional? O que considera problema para uma HQ nacional forte?
Há uma geração brilhante despontando aqui e lá fora. O problema mais grave é que não existe uma política para fazer com que esta produção, que estes talentos, alcancem um público mais amplo. Ainda hoje as HQs vivem no gueto!


Nos fale um pouco de sua trajetória nas telecomunicações. Atuou em rádio e TV não é mesmo?
Sou formado em Rádio, TV e Multimídia pela Universidade Metodista de São Paulo e fiz pós-graduação em Teorias e Práticas da Comunicação na Faculdade Cásper Líbero. Trabalhei na Rádio Cultura FM (Fundação Padre Anchieta), SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) e também na O2 Filmes (a maior produtora de filmes da América Latina). Colaborei em jornais e revistas, além dos espaços na internet. Publico livros. Tudo no campo da Comunicação.


O que representa o livro “As HQs dos Trapalhões”, na sua trajetória? Você me contou que são dois livros sobre eles, o que fala cada um e sobre o que será o terceiro que está planejando?
No ano passado eu lancei “O Cinema dos Trapalhões, por quem fez e por quem viu” (Editora Laços), um estudo a respeito da produção fílmica do quarteto. E neste ano lancei “As HQs dos Trapalhões” (Editora Estronho), para desnudar as histórias dos Trapalhões nas histórias em quadrinhos. Quero agora pesquisar a relação dos Trapalhões com a imprensa, este será meu terceiro livro dedicado a eles.

Além de divulgação e produção, você atua em alguma outra área nos Quadrinhos?
Estou escrevendo os roteiros do Adroaldo (https://www.facebook.com/adroaldo.quadrinhos/). Adroaldo é um personagem que criei, não sei desenhar, só escrever. E por uma sorte do destino, encontrei o Denison, que faz as ilustrações, e que está transpondo brilhantemente para as HQs as histórias que escrevi.

Nos fale um pouco de seus projetos ao longo dos anos.
Quero me dedicar aos livros que estão em desenvolvimento, lançar todos eles e também continuar produzindo as histórias do Adroaldo, que é um projeto que eu acredito muito, assim como os outros.

Você tem um canal no Youtube, não é mesmo? Conte-nos sobre o que você fala no canal e como é o projeto.
Coloco ali tudo que sai a meu respeito e tudo que produzi até aqui. Apresentei e produzi o “Zootropo” (TV Cronópios), um programa dedicado ao cinema nacional, apresentei e produzi também “O Cinema dos Trapalhões” (TV Cidade), que foi uma série inspirada no meu livro.

Quais suas produções, sejam em participação ou produção, no cinema?
Por enquanto é isso.

Tem algum projeto em mente?
Concluir os livros que estou trabalhando (são quatro ao todo) e continuar com o Adroaldo.

O que representou para você o curta “R. R. Lucchetti – A Multiplicidade da Linguagem”?
Rubens Francisco Lucchetti é um gênio. Em 2015 lancei “Conversações com R. F. Lucchetti” (Editora Verve) e no ano passado esse curta-metragem. Ainda é pouco, tem mais coisas a respeito do Lucchetti vindo aí, estou preparando, junto com o próprio Lucchetti e o filho dele o livro “Desvendando R. F. Lucchetti”. Em agosto iremos relançar a biografia em quadrinhos do apresentador Silvio Santos, que foi escrita pelo Lucchetti em 1969, em uma revolucionária parceria entre as Faculdades Integradas Rio Branco e a AVEC Editora na qual eu tive a honra de participar.

E o “A Bruxa do Chocolate”? Algum outro título que considere importante relatar?
“A Bruxa do Chocolate” é um livro que tenho muito carinho. É uma homenagem à minha filha Manoela, é dedicado a ela. E neste trabalho eu tive a oportunidade de trabalhar com o meu primo, o cartunista Spacca. Esse livro deverá ter outros desdobramentos sob a batuta da atriz Zuzu Leiva. Ela já fez um clipe (https://www.youtube.com/watch?v=IE8rSzLa2Wg) e planeja montar uma peça.

Sobre o que você fala no blog “Os Curtos Filmes”?
Trato dos curtas-metragens nacionais. Nos últimos anos o blog http://oscurtosfilmes.blogspot.com.br/ ampliou seu repertório e abordou outros temas. Atualmente publico entrevistas e matérias a respeito dos Trapalhões lá. Em 2018 ele completará dez anos de atividades, vou aproveitar a efeméride e encerrar as atividades. Acredito que ele conseguiu cumprir a sua missão. Graças a este trabalho fui a festivais, integrei júris, recebi prêmios pela valorização da nossa produção em curtas. Agora é mirar outros desafios.

Qual a sua relação com os artistas que trabalharam com as HQs dos Trapalhões? Trabalhou com algum em especial?
Relação de respeito, admiração e agradecimento por compartilharem comigo as suas histórias. Virei amigo de boa parte dos homenageados no livro.


Qual artista nacional te deu mais prazer em entrevistar?
Conhecer Renato Aragão e Dedé Santana foi inesquecível. Também me recordo da entrevista que fiz com Mauricio de Sousa, em sua própria sala de trabalho. Foram três momentos históricos, por tudo que estes profissionais representam para mim.

Quem você considera a expressão maior das HQs nacionais?
Mauricio de Sousa, sem dúvida! É a nossa maior bandeira nessa área. Diante de tantos descalabros, principalmente na política, que nos envergonha diariamente, ter um brasileiro como ele é motivo de orgulho.

O que acha que pode melhorar na produção e distribuição de quadrinhos nacionais?
A criação de uma política que incentive a produção, que está aí, circule em todos os cantos do país. Que as crianças tenham acesso, que as escolas incluam as HQs no currículo, que se incentive a leitura e que a televisão e o cinema nacional apostem nestas produções. Se fizermos isso, já será muito significativo.

O que é e sobre o que fala a Revista Bravo? Tem ela impressa ou somente online?
A Bravo! foi uma revista impressa, uma das poucas nos últimos tempos, que se dedicava à cultura. Fui assinante dela por muitos anos. Ela parou de ser impressa e graças à iniciativa do Guilherme Werneck, Publisher da Bravo!, ela está viva, online. Estou produzindo para a Bravo! uma série de entrevistas com quadrinistas brasileiros. Essa série se transformará em livro no próximo ano, sairá pela Editora Estronho e deverá chamar “Mestres do Traço”.

Pretende continuar lançando o livro dos Trapalhões em outras cidades? Como tem sido a receptividade ao trabalho?
A receptividade está sendo muito boa, o que me deixa feliz. Há uma lacuna, fãs ávidos por informações a respeito do quarteto. Quanto ao lançamento em outras praças, gostaria muito.

Quem é o Rafael Spaca? O que pensa?
Sou um batalhador que tenta, com honestidade, trabalhar em uma área profissional que neste país muitos não dão o mínimo valor! Indo para o campo da política, me recordo da frase do dramaturgo Bertold Brecht que diz "Infeliz a nação que precisa de heróis". Atravessando este momento tão delicado do Brasil, com as revelações diárias de corrupção em todos os níveis e em praticamente todos os partidos e políticos, adapto a frase para “Infeliz daquele que briga com os amigos por causa do seu corrupto de estimação”. É no mínimo ingenuidade acreditar nas pessoas que estão aí, e é a maior burrice brigar por eles. É isso que penso.

O que pode deixar de recado para os que estão começando?
Lutem, batalhem, não desistam. A vida é dura, mas como diria Raul Seixas: é de batalhas que se vive a vida. Não esmoreçam, não acreditem nos que desacreditam de vocês, tenham calma. Aqueles que riem de você hoje, podem se surpreender com você amanhã. É piegas, mas é verdade.

Tem mais alguma publicação da qual faça parte?
Esse ano, em setembro, irei lançar a biografia do músico Dick Danello (Chiado Editora) e também a biografia da atriz Débora Munhyz (Editora Laços).

Qual sua obra que deu mais prazer e foi mais gratificante fazer e por que?
Todas foram prazerosas e desafiadoras, tenho orgulho de todo o meu caminho percorrido até aqui.

Voltando aos Trapalhões, quais são os seus três filmes favoritos do grupo (e a razão)?
Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão: J. B. Tanko afiadíssimo, Vera Setta no papel de bruxa está incrivelmente assustadora, Wilson Grey brilhante como seu assistente. Dá aquele frio na barriga, ainda diverte e comove graças ao amor de Renato com o seu cãozinho.
Saltimbancos Trapalhões: um musical de primeira grandeza. O erudito e o popular se unem e nos mostram que é possível fazer filme crítico, com temática social, inteligente e engraçado.
Os Trapalhões e o Rei do Futebol: dizem que é difícil fazer bons filmes a respeito de futebol. Esse filme mostra que é possível. Pelé faz seu melhor trabalho no cinema. Tem a crítica social dos Trapalhões embutida, a questão dos dirigentes corruptos. Continua atual.

Qual você considera que é o maior legado do quarteto para o cinema nacional?
Eles levaram milhões de pessoas aos cinemas, eles movimentaram a indústria cinematográfica por décadas, eles estão no imaginário nacional, na memória afetiva de milhões de pessoas, formaram plateias, abriram sorriso em milhares de rostos, trouxeram leveza a um país que sofre há séculos de má gestão. Está bom?

Tem alguma história divertida/curiosa dos bastidores de sua pesquisa, do contato com os artistas para o projeto do livro?
Encontrar cada artista é um exercício de ourives. E quando encontramos o primeiro, uma teia vai se formando e isso é o que mais estimula no trabalho de pesquisa: quando as páginas em branco começam a ganhar as primeiras tintas.

Como você analisa cada membro do quarteto, no que tange a atuação deles, especialmente nos filmes?
Cada integrante tinha a sua função na engrenagem. Renato era o maestro cerebral, aquele que nossos olhos se fixam, independentemente do que acontece à sua volta, Dedé é o maior “escada” do Brasil, unia técnica e intuição com um pensamento muito rápido para fazer todos à sua volta brilharem, Mussum era excelente, dávamos risada com ele não só por suas expressões verbais, mas físicas também, e o Zacarias tinha um repertório magistral, o mais técnico de todos.

Durante muitos anos a crítica silenciou a respeito dos filmes dos Trapalhões. Como você analisa essa reação de parte da crítica com os filmes populares?
Ela não silenciou, ela noticiou e muito! Eram críticas negativas, construtivas e elogiosas. Lia-se de tudo a respeito dos Trapalhões.

Tem alguma relação com os últimos dois integrantes do grupo, Dedé e Didi?
Dedé Santana é o paraninfo, o padrinho e o patrono de todos os meus trabalhos relacionados aos Trapalhões. Em “O Cinema dos Trapalhões, por quem fez e por quem viu” (Editora Laços), ele dividiu comigo, no Rio de Janeiro, a mesa de autógrafos, foi mágico! No livro “As HQs dos Trapalhões” (Editora Estronho), ele assina o prefácio.

Como vê esse remake que a Globo está preparando, tentando trazer de volta o quarteto, sob a batuta de Didi e Dedé?
O remake, acredito eu, é uma especulação do que seria os Trapalhões nos dias de hoje. Os Trapalhões são insubstituíveis, essa discussão acerca da aparência, dos trejeitos, da fala dos atores que preenchem os papéis que eram do quarteto original é muito rasa. Vamos ver como o humor dos Trapalhões se conectará com as mudanças que a sociedade passou ao longo destas décadas. Estou curioso.

Acredita num sucesso parecido com o quarteto original?
Não. O que os Trapalhões realizaram não existem paralelos. Quem ficou décadas na televisão, no cinema e nas HQs fazendo sucesso como eles? Os Três Patetas, O Gordo e o Magro, Casseta & Planeta, não conseguiram permanecer tanto tempo e/ou transitar em todas essas mídias, e lograr êxito em absolutamente todas as plataformas, como os Trapalhões fizeram. Foram um fenômeno.

O que precisa mudar na mentalidade do editor de HQs nacional?
Ter mais coragem, arriscar mais e andar ao lado dos quadrinistas. Temos grandes editores no país, como o Marcelo Amado da Editora Estronho, que possuem todos estes ingredientes, para os que não tem, esta é a minha opinião.

Vê um futuro melhor para os quadrinhos no Brasil?
Temos que acreditar que o horizonte é promissor.

Qual sua preferência quando se trata de quadrinhos nacionais?
Gosto do que surpreende.

Tem algum personagem e artista preferido?
Monteiro Lobato, Will Eisneir, Profeta Gentileza, Rubens Francisco Lucchetti, Mauricio de Sousa, Raul Seixas, Bob Marley, Recruta Zero, Mazzaropi, Glauber Rocha, Os Trapalhões, Jackson Pollock, Os Três Patetas, Lionel Messi, Paulo Leminski, Os Simpsons, entre tantos outros.

ENTREVISTA COM BIRA DANTAS - PERGUNTAS DO MÚLTIPLO - MÚLTIPLO 11 - SETEMBRO 2017

Entrevista com
BIRA DANTAS


Múltiplo

Quem é Bira Dantas? Qual a origem do apelido?
Bira Dantas: Sou um paulistano, criado no Rio de Janeiro, e agora um caipira do interior paulista. Quando meus pais, potiguares, escolheram meu nome Ubiratan, o apelido Bira veio junto. Quando fiz meus trinta e poucos anos, achei que estava velho demais para assinar Bira e passei a assinar Ubiratan em tudo. Até que o premiado cartunista Dálcio me disse que estavam a me confundir com o Biratan, do Pará, nos Salões de Humor. Ele me convenceu a voltar a assinar Bira. Depois vi um outro Bira na Chargeonline e resolvi adotar o sobrenome da minha mãe e virei o Bira Dantas.

Começou sua trajetória nas HQs através dos cartuns? Nos conte como foi.
Bira Dantas: Fui fundador do PT, junto com meus irmãos e minha mãe em 1979, e fazia charges e quadrinhos militantes para todo mundo: movimento estudantil, oposições sindicais, jornais de esquerda. Tudo paralelo aos Quadrinhos dos Trapalhões. Em 1982 eu já tinha apoiado várias oposições sindicais. Uma delas ganhou (Sindicato dos Químicos SP) e me chamaram para trabalhar lá. Ganhando mais que dobro do que ganhava como quadrinhista, trabalhando apenas 5 horas diárias. Não tive dúvida.

Como você vê o universo independente de quadrinhos no Brasil?
Bira Dantas: Com muito entusiasmo. Eu lembro de ver originais de HQs do Pacheco e do Arthur Garcia, no estúdio Ely Barbosa, que eles não tinham onde publicar. Só foram publicar muito tempo depois na editora Maciota, Vidente e Opera Graphica. O espaço que a gente tinha eram os fanzines e revistas independentes. Eu adoro este universo e dou o maior apoio. Como disse Alan Moore: “O futuro dos Comics é no mercado independente e alternativo, o mainstream vai desmoronar. ”

O que considera mais importante a ser discutido em relação a HQs no Brasil?
Bira Dantas: Projetos editoriais, pagamento por produção, distribuição e mercado de consumo. O quadrinista tem que receber um valor fechado por página e mais os 10%, pois o adiantamento dos royalties não dá para quase nada. As editoras têm de investir em propaganda e marketing. Quando revistas em quadrinhos custarem menos, se falar delas na TV aberta e o brasileiro ganhar mais, a coisa muda de figura.

Nos anos que se dedicou aos quadrinhos e às caricaturas, em quais trabalhos você esteve? Editoras, projetos individuais, fanzines, fale um pouco de tudo isso.
Bira Dantas: Gosto de ser polivalente. Trabalhei no Sindiluta (Sindicato dos Químicos), jornais Retrato do Brasil, Folha da Tarde, Graphiq, Diário do Povo e Correio Popular (Campinas). Fui intercalador do estúdio de animação Briquet. Ilustrei a Ciranda da Ciência do grupo Hoechst, alguns livros infantis e didáticos, participei de coletâneas da Ed. Virgo, do cartunista Mastrotti. Faço charges para o Sinergia CUT, Sindipetro SP e Norte Fluminense, FUP e SINDAE.
Tive o programa “Rockenstein” em rádio, em Paulínia, nos anos 90.
Publiquei na Quadreca, Sem Essa, Porrada, Pântano, Mil Perigos, Tralha, Mega Zine, Excomungados, Camiño de Rato, Prismarte, Quantum Spies (Coréia do Sul), NFL Zine, Graphite (Portugal), A Mosca no Copo de Vidro e Outras Histórias, A garagem hermética, Ziniol (Polônia), Miséria, Quadrante X, Tchê Zine, O Sótão, Quadritos, SubZine. Entre outros.
Sou vocalista e gaitista na banda de pop-rock Tio’s Rex.

O que você considera ser cartunista?
Bira Dantas: Olhar para os fatos do cotidiano com a importância que eles têm. Olhar para o povão com respeito por seu sofrimento e suas lutas. Nunca fazer humor baseado em preconceito, contra minorias ou grupos oprimidos. Nenhuma guerra é válida. O povo invadido deve ser sempre defendido. Se há guerra, é porque os invasores de sempre querem se dar bem, de novo. E vão usar a máquina da imprensa para fazerem o oprimido admirar o opressor, como disse Malcolm X. Ser cartunista é ser solidário aos trabalhadores no momento em que estão destruindo direitos trabalhistas históricos e não cair no papo de que vão modernizar a CLT. A nossa CLT não é a mesma de Vargas há décadas, esta imprensa golpista finge que não tivemos uma Constituinte em 1988, e vários adendos nas Leis Trabalhista, modernizando-as. O único resquício autoritário é o malfadado Imposto Sindical, que alimenta os pelegos. Sou a favor da liberdade na contribuição.

Segue alguma linha em especial? Sua inspiração vem de onde?
Bira Dantas: Não. Todos os dias acordo, vejo o noticiário em sites e blogs de opinião. Rabisco as ideias. Na hora do almoço assisto aos noticiários de baixa qualidade da TV. Vou para o computador e finalizo as charges. Quem me inspira são pessoas espirituosas como Osvaldo Pavanelli, Mario, Santiago, Eugênio, Kayser, Aroeira, Bob Fernandes, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Elias Aredes e alguns advogados do site Justificando…. Eu gosto de ouvir pessoas inteligentes e bem informadas.

Por desenhar caricaturas, teve algum problema com alguém?
Bira Dantas: Já fui processado pelo Sindicato dos Eletricitários SP, da Força Sindical, porque fiz charges criticando o seu peleguismo. Nos dois casos, a Justiça considerou as ações sem fundamento. Eu e Latuff sofremos tentativa de censura por parte do governador Geraldo Alckmin e do senador José Serra. Eles moveram ação na justiça contra o PT, em virtude de charges ironizando o “Trensalão” ou Metrogate, de São Paulo”, exigindo a retirada das charges da internet. O juiz Valdir da Silva Queiroz Junior, da 9ª vara cível SP indeferiu. Em 2006 publicava muitas charges no Blog Amigos do Presidente Lula e recebi a seguinte ameaça de Álvaro Dias (quando era senador do PSDB): “Senhor Bira, cabe a mim alertar que vocês está cometendo ato de difamação, Cabe ainda um alerta que usarei os recursos que a lei me permite para processar este antro que se diz blog que nada mais é que um bando de corruptos sem escrúpulos. Álvaro Dias, Senador da República”. Me defendi respondendo: “Pois é, senador Álvaro Dias, as investigações mostrarão os verdadeiros corruptos desta nação. E tenho certeza que a grande e esmagadora maioria não virá do PT, mas de partidos que vossa excelência costuma chamar há muito tempo de “aliados”.

Acabei de assistir ao JN, da Globo, mostraram denúncias contra Geraldo Alckmin, contra políticos do PFL e contra o PMDB carioca que apoia Garotinho. Estou vendo mesmo quem está atolado na lama. O chargista ao mostrar ou criticar um fato, não comete ato de difamação. Ele cumpre com seu papel político. Se eu não quisesse cumprir o meu, mudaria de profissão ou ofereceria minhas charges aos pefelentos e tucanalhada. E isso, meu senhor, pode ter TOTAL e ABSOLUTA certeza que eu não farei NUNCA. Aliás, nunca fui corrupto, nem sem escrúpulos. Só deixei de pagar algumas contas na data, mas paguei com multa e juros depois. Passar bem. Bira Dantas, chargista, cidadão e colaborador totalmente gratuito do blog. “
Conheci o senso de ética da equipe do site dele, quando pegaram uma charge que eu havia feito para a Federação dos Petroleiros, tiraram minha assinatura, a adulteraram e publicaram. Alertado pela FUP fiz um escândalo no Blog tucano, deveria ter ficado quieto e ter processado o senador que posa de ético, mas usa o jatinho do doleiro Alberto Youssef. Eles pediram desculpas: “Retirarei sem problema algum. Minha assessoria ilustrou matéria usando a imagem. Peço desculpas. ”

Nos conte como é retratar o melhor e o pior de personalidades e de amigos?
Bira Dantas: É uma diversão! Quando eu vejo um amigo já imagino a caricatura. Quanto a melhor e pior, são relativos. Eu tenho olhos pequenos, dentes limpa-trilhos, cabelo amalucado, sobrancelha e nariz de turco. Não posso esperar uma caricatura que não tire sarro disso. Eu mesmo tiro!

Você desenhou durante algum tempo “Os Trapalhões”, como foi fazer esse trabalho e qual o retorno que você teve com ele?
Bira Dantas: Sim, de 1980 a 1982. Minhas primeiras entrevistas na web foram em função de ter trabalhado no estúdio Ely Barbosa.
Um belo dia de 1979, minha mãe abre o jornal e vê um anúncio de estágio para desenhistas com ou sem experiência. E gritou:
- Sem experiência é você, filho!
Lá fui eu conhecer o estúdio do Ely Barbosa na av. Indianópolis, zona sul. Era do outro lado da cidade. Eu morava no Tatuapé, na zona leste. Foi uma experiência única. Eu era um cara de 17 anos, doido para trabalhar com Quadrinhos, só tinha desenhado super-heróis até então. O Ely Barbosa produzia animações para o Baú do Silvio Santos, gibis “Festival Hanna-Barbera” pra Rio Gráfica (atual editora Globo), Os Trapalhões (editora Bloch) e o programa Turma Tutti-Fruti para TV. No estúdio fui acompanhando a produção de roteiros, desenho, arte-final, letreiramento, guia de cores pintados com ecoline e pintura de capas com guache. Mas, logo em seguida virei assistente do Mestre Eduardo Vetillo, que desenhava Hanna-Barbera, Os Trapalhões, Disney, Chet e Spectreman.

Em 1980, o Vetillo disse que o Ely precisava de mais desenhistas e disse que eu já estava pronto para assumir. Me sentia no paraíso. Passava no estúdio do Ely Barbosa 2 vezes por semana para pegar roteiros para desenhar. Conversava com o pessoal da arte, encontrava outros free-lancers que passavam por lá. Via os livreiros-andantes que levavam livros de arte para vender (mas eu nunca tinha grana, só dava para os gibis de banca mesmo). O Ely era um cara muito boa-praça. Sarrista, me chamava de “vermelho” por eu ser petista. Tinha um acervo de Quadrinhos e Arte que liberava para a gente estudar. Ele era muito voltado para o merchandising dos personagens e tinha sempre gente famosa lá (Matilde Mastrangi, Éder Jofre, Marthus Mathias, dublador do Fred Flintstone nos desenhos e Otávio Mesquita). Mas o legal mesmo era encontrar Mingo, Genival, Pontes, Cidão, Sérgio Vallezin, Cleyton Caffeu, Vetillo, João Batista Queiroz, Sérgio Lima, Bonini, Watson Portela, José Lanzelotti, Vila, Arthur Garcia, Wanderley Feliciano e Orlando Costa por lá. O estúdio fervilhava de ideias.

Hoje, você ainda trabalha com caricaturas né? Quais projetos te dão mais prazer em fazer?
Bira Dantas: Sim. Gosto de fazer caricaturas para Flash Expos do Jal, sempre com personalidades interessantes. Mando trabalhos para Salões de Humor e publico caricaturas de desenhistas e roteiristas da Bonelli entrevistados pelo conceituado Blog do TEX, do José Carlos Francisco. O Projeto Quadrinhos Inquietos, com Marcos Venceslau, Fernando dos Santos é muito prazeroso, apesar de não ser de caricaturas!
Utiliza alguma referência histórica ou de desenhos nos seus trabalhos?
Bira Dantas: Em Memórias de um Sargento de Milícias, eu procurei muitas referências na internet, mas foi no livro de aquarelas do alemão Eduard Hildebrandt (que esteve no Brasil em 1844), que eu achei boa parte do visual que eu usaria na HQ. Ele havia morado no Rio e pintado uma parte dos locais citados pelo autor. Debret também me ajudou. Para criar os cenários e desenhar os personagens de Cervantes, o pintor espanhol Francisco de Goya foi fundamental. Uma revista da National Geographic e adaptações da Ebal e La Selva, que o colecionador João Antonio Buhrer me emprestou, também ajudaram. Em O Ateneu, as ilustrações do próprio Raul Pompéia foram de grande valia.

O que pensa a respeito disso (referências)?
Bira Dantas: São necessárias e obrigatórias. Fora casos em que o quadrinhista tenha vivido o fato a ser narrado graficamente (mesmo assim, é aconselhado tirar fotografias do local), ele deve se cercar de toda referência possível. A gente deve ter o cuidado de se aproximar do fato acontecido, ou imaginado pelo autor, sempre.

Teve alguma influência importante na sua trajetória? Nos conte sobre isso.
Bira Dantas: Tive muitos mestres de Desenho e Quadrinhos, desde 1969, quando comecei a desenhar para valer. Mas o que mais me marcou e influenciou, foi sem sombra de dúvida, Angelo Agostini. Este italiano mudou-se para o Brasil em 1859 e publicou a primeira HQ (As aventuras de Nhô Quim) aqui, 10 anos depois. Além de ser um pioneiro na Arte Sequencial, AA era exímio chargista e caricaturista, tendo retratado em O Cabrião, o Diabo Coxo, O Mosquito, A Vida Fluminense e Revista Ilustrada a rotina do segundo império, tendo D. Pedro II, a elite política, a igreja e a escravidão como seus principais alvos. Ele era um chargista de luta, que primava pela informação do povo, um Dom Quixote em meio a moinhos e gigantes.
Além dele, nomes como Hal Foster, Phil Davis, Alex Raymond, Dan e Sy Barry, Burne Hogarth, John Buscema, Jack Kirby, Al Capp, Jayme Cortez, João Baptista Queiroz, Sergio Lima, Edmundo Rodrigues, Bonelli e Galep, fizeram minha cabeça. Cresci lendo Tarzan, Fantasma, Asterix, Flash Gordon, Conan, Capitão América, Príncipe Valente, Família Buscapé, Turma do Pererê, Zodiako, Capitão 7, Fuzarca e Torresmo, Oscarito e Grande Otelo, Jerônimo o Herói do Sertão, TEX…

É verdade que você produziu materiais para sindicatos? Quais?
Bira Dantas: Os boletins sindicais e de oposições fazem parte da minha vida desde 1980. Esta militância gráfica começa paralela à minha entrada no gibi dos Trapalhões, desenhei para vários movimentos de Oposição sindical em SP: Metalúrgicos, Químicos, Construção Civil, Securitários, Vigilantes, Frentistas, Médicos, Jornaleiros, Bancários e Servidores de Campinas, Têxteis de Americana, Sapateiros de Franca e dezenas de outros. Na exposição “Mestres Daqui”, inaugurada no ateliê Folha em Campinas, é possível ver este meu início na charge, com o traço ainda incipiente e bem no estilo “Quadrinhos”. No primeiro ano de Sindiluta (boletim diário do Sindicato dos Químicos SP) minhas charges ilustravam as matérias, portanto eu era pautado pelos jornalistas e diretor de imprensa. Neste começo, eu tinha um pouco de dificuldade para entender os meandros da economia, detalhes da CLT e das relações entre sindicato, categoria e empresários. Li bastante e discuti em vários departamentos. No segundo ano, ganhei um espaço de charge editorial, na parte de cima do boletim, ao lado do logotipo. E sempre tive total liberdade na escolha dos temas e nunca tive uma charge censurada ou “derrubada”. Em Campinas desenhei para os Eletricitários, Metalúrgicos, Petroleiros, Sinpro, AproPUC, STU, Construção Civil e CUT. No Rio, Bancários e Petroleiros. No Espírito Santo, Bancários. Nacional: Andes.

E sobre adaptação de obras literárias, realizou quais e qual a importância disso na sua carreira?
Bira Dantas: Fui contratado pela Escala Educacional para fazer Memórias de um Sargento de Milícias, D. Quixote e O Ateneu. Meu D. Quixote esgotou seus 60 mil exemplares. Isso tem me rendido debates anuais com os alunos do colégio Dante Alighieri, que adotou a adaptação da Escala Educacional. São conversas inesquecíveis. Eles conhecem meu trabalho de cor e salteado, e cobram porque fiz tal coisa ou deixei tal aventura de fora. Falam do impacto da obra de Cervantes em suas vidas e de como a conheceram. É incrível o que uma classe estimulada por professores interessantes é capaz de fazer.

Teve alguma participação em algum evento internacional? Como foi ser mestre de cerimônias na Coréia?
Bira Dantas: Sim! Fui convidado para dois eventos na Coréia do Sul (WCC e Bicof) e dois na Argélia (FIBDA), este ano fui convidado para um Festival de Historietas em Cuzco (Peru). No caso da Coréia não fui mestre de cerimônias (hehehe), em 2005 eu fiz um relato sobre a história da HQ no Brasil, na abertura da Conferência Mundial de Quadrinhos. No Bicof, eu fui apresentado às editoras e principais jornais como o “cara que fez a HQ da campanha do Lula”. Eles adoram o Lula. Na Argélia também.

Quais prêmios ganhou ao longo de sua trajetória e qual a importância de cada um?

Bira Dantas: 1986 - Primeiro prêmio em caricatura, IV Salão sobre Desenho de Humor de BH;
1992 - Menção honrosa, IV Mostra de Humor de Araras (SP);
1998 - Prêmio Júri Popular-Internet, Salão Nacional de Humor sobre fiscalização dos Gastos Públicos (UNACON Brasília);
2000 - Duas menções honrosas em caricatura, Salão de Ribeirão Preto (SP);
2002 - Diploma de mérito "Zumbi dos Palmares", concedido pela Câmara dos Vereadores de Campinas/SP, pela produção de um gibi sobre a vida de Zumbi;
2003 - 19º Prêmio Ângelo Agostini, como melhor cartunista do Brasil;
2002 - Primeiro lugar em Caricatura, no Salão de Humor do Chipre Ramiz Gökçe;
2004 - Prêmio Ângelo Agostini de melhor cartunista e menção honrosa em Cartum no Salão de Volta Redonda;
2007 - Prêmio HQmix, pela revista coletiva de Quadrinhos Front (Via Lettera);
2008 - Prêmio HQmix, pelo coletivo de Quadrinhos Quarto Mundo;
2009 - Menção honrosa na Competição de Cartuns Redman (China), primeiro lugar em Quadrinhos Curtos na Serbya Cartoon Fest, primeiro lugar em Tiras no Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, prêmio HQmix com a quadrinização de D. Quixote.

Se considera um mestre do Quadrinho Nacional?
Bira Dantas: Não. Não fiz escola como os Mestres que sigo.

Quais desenhistas e ilustradores admira? Quem você acha pode ser chamado de “O Cara” dos desenhos?
Bira Dantas: Puxa, seria uma lista interminável. Vou começar pelo maior: Jayme Cortez.
Na lista dos maiores: Angelo Agostini, Bordalo Pinheiro, J. Carlos, Belmonte, Seth, Eduardo Teixeira Coelho, Albert Uderzo, Morris, Mulatier, Burne Hogarth, Alex Raymond, Hal Foster, Walt Kelly, Milton Caniff, John Buscema, Gil Kane, Wally Wood, Jack Kirby, Giorgio Cavazzanno, Hugo Pratt, Solano Lopes, Rodolfo Zalla, Osvaldo Talo, Eugenio Collonnese, Jean Giroud, Edgar Vasques, Ziraldo, Fortuna, Ely Barbosa, Eduardo Vetillo, Watson Portela, Rodval Matias, Mozart Couto, P. Caruso e Henfil.

Nos fale de seu blog, o que produz, o que publica, qual a relação dele com você e como o público o vê?
Bira Dantas: Há 10 anos atrás cheguei a manter 18 Blogs e fotologs, com temas diferentes (charge, cartum, caricatura, quadrinhos, D. Quixote, O ateneu, ilustração, quadrinho nacional, etc.). Hoje tenho 4 Blogs, 2 que atualizo mais (charges e caricaturas), D. Quixote atualizo menos, e O ateneu (parado). No Facebook tenho 2 perfis, 2 páginas de artista BiraDantasCartunista e CartunistasContraOGolpe, 1 da minha banda Tio’s Rex e 1 da AQC. Atualizo todas, todos dias.

Suas caricaturas sempre vão para o lado cômico? Se não, o que mais elas retratam.
Bira Dantas: Às vezes faço caricaturas mais complexas, como a homenagem a Zé Rodrix, em que desenhei como cenário, o conteúdo da música “Jesus numa Moto”, ou a caricatura de Marcel Duchamp, em que fiz uma colagem com o clássico mictório preso na parede, ou duas caricaturas de obras de Picasso, para um livro de Arte que minha irmã Betânia Dantas ajudou a escrever. Mas, na maioria dos casos, o humor prepondera!

Durante sua trajetória você fez bons amigos né? Poderia nos falar um pouco dessas amizades, contar algum fato engraçado e importante?
Bira Dantas: Na época dos Trapalhões eu estava bem inseguro quanto ao traço, enquadramentos e gostava de mostrar as HQs antes de entregar (até porque quando o Ely corrigia, ele fazia um círculo no erro e, riscando, cruzava a página para escrever, do outro lado o que era para fazer). Muitas vezes pegava o Ely no corredor para ele me dizer o que estava estranho numa cena. Aprendi muito com os mestres! Vetillo conta que o Ely Barbosa tinha o maior medo de chegar em casa à noite e eu sair debaixo da cama com umas páginas para mostrar. Fabiano Carriero foi dos meus alunos mais dedicados na Escola Pandora. Tudo que eu falava para ele fazer, trazia pronto na semana seguinte. Era incrível. Ele me surpreendeu ao preparar, quando fiz 50 anos, com uma “Birada Cultural” em Campinas. Foram várias exposições minhas, com vários temas, em vários locais da cidade, tudo sem eu saber. Na época da revista Bundas (Ziraldo), eu estava duro e reservei um livrão do Frazetta “Icons” para comprar na livraria Pontes. No dia do meu aniversário, minha mulher chega com vários pacotes de presente. Quando abro este, era o livro do Frazetta. Ela só podia ser bruxa para adivinhar. Depois me contou que queria me dar um livro de Arte. Procurou muito por todas livrarias da cidade, mas achava que eu já tinha tudo. Quando chegou na Pontes, disse que queria dar um livro para o marido cartunista. O dono perguntou como ele assinava. Bira, respondeu. Ele puxou o livro das reservas e disse: “Este aqui ele ainda não veio pegar. ” Minha filha pintava minhas tiras diárias do Tatuman. Eu pagava 10% do que ganhava por mês. Um grupo de jornalismo da PUC veio me entrevistar e aproveitaram para entrevista-la também. Quando eles saíram ela me disse: “Agora que sou famosa, você pode aumentar para 50%? ” Em 2005, na volta do WCC, na Coréia, fui com minha mulher visitar minha enteada que morava em Londres. Ficamos num hotel em Notting Hill. Quando voltávamos de um passeio, perto do metrô tinha uma dessas redes de livrarias com promoção do livro do cartunista Gerald Scarfe por 9,95 Libras. Minha mulher e enteada foram para o hotel e eu fiquei na livraria. Peguei o livro e perguntei em inglês se ele tinha mais de cartunistas. O balconista perguntou se eu era brasileiro e que podia falar português. Disse que sim, ele perguntou se eu trabalhava com isso e como eu assinava. Quando disse que era o Bira, ele perguntou: “O desenhista dos Trapalhões? ” E fez a maior festa, disse que adorava o gibi e me deu o livro de presente, desde que eu desse um autógrafo. Quando cheguei no hotel, contei a história e ninguém acreditou. Disseram que paguei o livro e inventei aquela lorota. Fazer o quê? Na Itália, fomos num grupo de 8 amigos. Por ser caricaturista do Blog do TEX, da Bonelli, fui muito bem recebido em vários restaurantes e cafés. Num deles, em Verona, depois de caricaturar todos garçons e até o pai do dono, não quiseram cobrar a conta por dois dias.

Você faz parte da diretoria da AQC-SP, o que você faz e o que isso significa para você?
Bira Dantas: Sou diretor da Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de SP. Cuido do Blog, da página do Facebook, faço parte da organização do Troféu Angelo Agostini e faço as convocações pela web. A AQC é um grande espaço de promoção do Quadrinho nacional, bem como de Salões de Humor, lançamentos, cursos, debates e oficinas que estão rolando por aí. É também um canal de denúncias de desmandos ou perseguições.

Acredita numa melhora considerável de HQs e produções nacionais?
Bira Dantas: Sem dúvida. A diferença é palpável. Para um iniciante, publicar virtualmente tem o mesmo caráter das perguntas que eu fazia para os mestres. Para os profissionais, é uma forma de atingir um público bem maior, sem o custo da impressão gráfica.
Como vê o movimento de fanzines de antes e o de agora?
Bira Dantas: Antigamente, ler, fazer e promover o Fanzine era privilégio de poucos. Hoje, a internet encurtou distâncias e tudo ficou mais rápido.

O que a internet ajudou as HQs brasileiras e o que atrapalhou?
Bira Dantas: Ajudou a publicar e divulgar. Mas não ajudou a remunerar. Muita gente ainda recebe propostas de publicar gratuitamente em sites que vendem produtos. Quando o site ou blog não tem fins lucrativos, eu entendo. Quando é um site comercial, este tipo de proposta é indecorosa.

Como quadrinhista, qual o maior desafio que já enfrentou?
Bira Dantas: Desenhar, arte-finalizar e sombrear 56 páginas em 2 meses (Memórias).

Tem algum projeto importante em mente? Pode compartilhar com a gente?
Bira Dantas: Gostaria de escrever um álbum que contasse segredos diários de cartunistas, de Angelo Agostini aos dias de hoje. Editar um livro de caricaturas de Cartunistas&Quadrinhistas, e outro de Blues. Quadrinizar a Ilíada com tantas dezenas de páginas quantas precisasse. Desenhar os roteiros que o Gonçalo Jr. me passou para fazer um álbum.

Criador x Criatura, como é a sua relação com sua obra?
Bira Dantas: Eu nunca estou satisfeito com meu traço. Na época da revista Front (Via Lettera) fazia cada HQ num estilo diferente. Acho saudável você não achar que chegou lá, senão você para de andar.

O que gostaria de dizer a quem está começando a fazer caricaturas?
Bira Dantas: Estude os Mestres: Agostini, J. Carlos, Belmonte, Ziraldo, Fortuna, Al Hirschfeld, Mendez, Chico, P. Caruso, Laerte, Mulatier, Sebastian Kruger, Jan Op De Beeck, Paulo Branco, Mattias.

Vejo que sua atuação no universo de quadrinhos é intensa, nos fale um pouco de como interage com os demais quadrinhistas, em especial aqueles que junto com você dirigem a AQC.
Bira Dantas: Quando fui para fora do Brasil, sempre fiz questão de levar os trabalhos relevantes de outros autores. Acho que o Quadrinho nacional é muito mais importante do que o meu Quadrinho. Como poderia me furtar de mostrar gênios como Luiz Gê, Marcatti, Zalla, Collonnese, Rafael Coutinho, Fabio Moon, Gabriel Bá, Jozz, Cobiaco pai e filho, Laerte, Angeli, Spaca, Fernando Gonsales, Vilachã, Jô Fevereiro, Drago, Franco de Rosa.

Qual o seu trabalho favorito?
Bira Dantas: Memórias de um Sargento de Milícias. Se pudesse, sempre trabalharia em grupo.

Algum arrependimento? Faria tudo igual novamente?
Bira Dantas: Ter parado de desenhar os Trapalhões em 1982. Mesmo reduzindo minha produção, eu poderia ter continuado a fazer HQs para o Ely Barbosa. Eu teria xerocado TUDO que desenhei nessa época, incluindo os trabalhos de inglês da turma da minha prima Goya e o mês que trabalhei na Folha da Tarde. Teria preservado também HQs inéditas que perdi depois de expô-las numa festa em 1988.

Destacaria algum artista do passado e algum do presente?
Bira Dantas: Al Hirschfeld, por morrer dormindo com 100 anos, ainda ativo na caricatura. Fabiano Carriero, tão jovem, já movimentou tanto a cidade onde nasceu, promovendo exposições e vernissages memoráveis. Um pequeno grande artista! Mestre Eduardo Vetilo.

O que o mundo dos quadrinhos tem dado de melhor?
Bira Dantas: A chance de olhar o mundo com outros olhos.

Breve currículo.
Bira Dantas: Trabalha com HQ, ilustrações e charges desde 1979. Foi desenhista da revista em quadrinhos “Os Trapalhões” (Bloch) de 1980 a 82, e intercalador de desenho animado no Estúdio Briquet (Bond Boca) em 85, quando fez parte da AQC (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de SP).
Colaborou em revistas como Pântano, Tralha, Porrada, Megazine, Bundas, Em Ação (Caterpillar), EATON, IBM, 3M, Rockwell Fumagalli, Anglo, Bundas e jornais como Retrato do Brasil, Folha da Tarde (SP), Diário do Povo (Campinas), Pasquim21 e jornais Sindicais.
Ilustrou livros para Ed. Atual (O Caderno de Perguntas de Rebecca) e pra Ática (Curso de Inglês) através da Agência de Design e Editoração Grafos. Participou de livros cooperativados da Editora Virgo como “Brasil, 500 anos”, “Fome de ver estrelas”, “Tiras de Letras”, entre outros.
Tem publicado adaptações Literárias em Quadrinhos pela Escala Educacional (Memórias de um Sargento de Milícias, D. Quixote e O Ateneu).
É professor de charge, cartum e caricatura na Escola de Arte Pandora, em Campinas. Atualmente é contratado pelo Sinergia e Sindipetro.

1963 - Nasceu em Sampa.
1977 - Estagio no MSP
1979 - Estágio Ely Barbosa
1979 - Assistente de Eduardo Vetillo
1980 - Desenhista de Os Trapalhões Bloch
1982 - Chargista Sindicato dos Químicos SP
1984 - Curso Editoração de Quadrinhos na ECA (USP)
Publicação na Quadreca #4
1985 - Intercalador Briquet Filmes
Chargista Retrato do Brasil
1987 - Revista Pântano (com Marcatti e Baraldi)
1988 - Chargista Sindicato dos Eletricitários Campinas
Revista Tralha (com Marcatti, Mutarelli e Baraldi)
1991 e 1995 - Chargista Diário do Povo
1999 - Editora Virgo
2002 - Professor de Charge, Cartum e Caricatura na Escola de Arte Pandora
2005 - Palestrante no WCC (World Comics Conference) em Bucheon, Coréia do Sul. Lançamento do BiraZine #1
2006 - Publicação na Revista Quantum Spies (Coréia do Sul)
Publicação na Revista Front #17 (Via Lettera) e na Quadreca #15 (USP)
2009 - Publicação de HQ na revista Ziniol (Polônia)
Publicação na Camiño de Rato
2010 - Curso de Charge, Cartum e Caricatura no Senai Campinas
2011 - Organizador de visita de 3 dias de Comitiva Coreana de Manhwa em São Paulo. Participante do Festival de Quadrinhos em Angoulême (França).
Publicação na Revista Graphite (Portugal).
Participação no Bicof (Bucheon Comics Festival, na Coréia do Sul).
2013 - Participou do FIBDA (Festival de BD da Argélia)
2014 - Dirigiu, com Artie Oliveira, o documentário "Desvendando Angelo Agostini”.
Jurado de premiação no FIBDA (Argélia) onde organizou a expo "Quadrinhos, 145 années de BD au Brésil”.
2016 - Lançamento do SketchBook Custom (Ed. Criativo)

Se quiser nos contar alguma coisa interessante de sua trajetória, citar algum fato importante ou deixar um recadinho para os leitores.
Bira Dantas: Acho que já falei demais! Abraços a todos e obrigado pela paciência!