domingo, 26 de março de 2017

ENTREVISTA COM OMAR VIÑOLE - MÚLTIPLO 5

Múltiplo: Desde quando trabalha com Quadrinhos?
Omar Viñole: Profissionalmente desde 1995, mais ou menos, já faz um bom tempo! (Risos)

Múltiplo: Tem algum artista em quem se inspira?
Omar Viñole: Vários. Não tenho um único específico. Gosto desde os que fazem trabalhos mais modernos, estilizados, mais caricato, anatomias exageradas, como os das antigas, os mais acadêmicos.

Múltiplo: Qual seu trabalho favorito?
Omar Viñole: Difícil escolher um só. Todos têm uma coisa que mar-ca pelo momento e pelo tempo que você se encontra quando estava produzindo. Posso citar o Yeshuah, onde fiz a arte-final para o Laudo Ferreira, a produção de todo o trabalho levou uns 13 anos e sempre estava fazendo a arte-final das páginas mesmo entre um trabalho e outro. E tem o Coelho Nero que são as tiras que faço desde 2009.
Múltiplo: Qual sua pretensão com relação a Quadrinhos?
Omar Viñole: Minha pretensão é continuar produzindo HQs, sendo fazendo arte-final e cores, onde faço mais, ou mesmo desenhando. Simples assim! Risos
Múltiplo: Fale um pouco do Coelho Nero. É somente tiras ou já pro-duziu HQs com ele? Tem algum outro personagem em tiras?
Omar Viñole: O Coelho Nero surgiu para passar o tempo. Como sempre faço mais arte-final e cores para outros desenhistas, queria fazer alguma coisa que pudesse desenhar, mas que fosse meio rápido de fazer, como na época estava ficando mais visível os blogs com tiras e seria fácil colocar na net para divulgar, comecei a brincar com isso e, com o personagem, faria minhas críticas e colocaria minhas inda-gações na boca dele. O Coelho Nero surgiu de um rabisco e como gostei da cara dele pensei em tiras. Nunca fiz uma história de HQ com ele, acho que não cabe, o Nero foi criado para tiras mesmo, mas não sei no futuro, se me dá uma ideia, posso fazer. No momento só tenho o Coelho Nero mesmo que criei para fazer tirinhas! (Risos)
Múltiplo: Como você vê a HQ nacional nos dias de hoje?
Omar Viñole: Olha, não lembro de uma época tão boa como agora. Muita produção. Muita produção boa. Muitos eventos, uma maior visibilidade. Estamos no caminho. Ainda tem muito chão para correr, mas creio que estamos num bom caminho. (Risos)

Múltiplo: Tem algum artista que chama sua atenção?
Omar Viñole: Nacional? Tem vários. Não dá para citar um só! Como roteirista tem o Daniel Esteves, Alex Mir, Laudo Ferreira, Lillo Parras, e vários outros. Desenhistas tem vários, muito talentosos, Gustavo Bor-ges, Will, Alex Rodrigues, Caio Majado, Alex Genaro, Laudo Ferreira, (claro, rsrsrs) e, também, vários outros! (Risos)

Múltiplo: Qual estilo de HQ você prefere fazer? Humor, ficção, aventura ou comédia?
Omar Viñole: Não sei se faço bem, mas gosto de todos os estilos de histórias. Sendo uma boa história e me dê um desafio para fazer, que eu curta desenhar, tento fazer o melhor possível.

Múltiplo: Nos conte um pouco de sua parceria com o Laudo Jr., e como funciona? Essa parceria se resume a ilustrações? Tem HQs em parceria com ele?
Omar Viñole: Conheço o Laudo há mais de 20 anos. Na época ele estava procurando um arte-finalista para fazer a adaptação do qua-drinho do filme do Zé do Caixão, “Esta noite encarnarei em teu cadá-ver” e começamos a trabalhar juntos desde então. Criamos o Estúdio Banda Desenhada, que durou até esse ano de 2016, e trabalhamos juntos tanto em quadrinhos como em ilustrações pra editoras, empre-sas e o que aparecia para fazer. Rsrs. Fizemos muitas HQs juntos. A trilogia Yeshuah, que ficamos produzindo durante 13 anos, Depois da Meia Noite, Alto da Barca do Inferno, Tianinha e muitas outras.

Múltiplo: Nos fale um pouco sobre “Cadernos de Viagem”, o que achou da repercussão? Qual foi sua participação na revista?
Omar Viñole: O Cadernos de Viagem é uma história mais pessoal do Laudo. Fala um pouco da história dele com os pais e trata de uma forma mais espiritualista dentro do que o Laudo acredita. A repercus-são da HQ está sendo boa. Ela vem recebendo muitos elogios, pelo roteiro, desenhos e também pelas cores, onde foi a minha participa-ção da HQ.

Múltiplo: Tem algum outro projeto em vista?
Omar Viñole: Com o Laudo? Tenho mais 2, mas ainda não posso falar sobre eles! Rsrs

Múltiplo: Fale um pouco de Yeshuah, o que é este trabalho e qual sua participação?
Omar Viñole: O Yeshuah foi um trabalho bem grande. Quase qui-nhentas páginas onde fiz a arte-final no desenho dele. Ficamos pro-duzindo durante 13 anos, entre outros quadrinhos que produzimos durante esse período. Quando começamos não era tão fácil publicar com editoras e independente nem pensar. O Laudo bateu na porta de muitas editoras antes de fechar com a Devir. Muito editor além de não ter muita grana para apostar na obra também não entendia o que era uma história de Jesus que não tinha um formato que já viram, pois, nos quadrinhos sempre as histórias de Jesus ou são retratados como religiosos ou com depreciação da figura dele.

Múltiplo: E Orixás?
Omar Viñole: Orixás do Orum ao Ayê teve roteiro do Alex Mir que chamou eu (arte-final e cores) e o Caio Majado, desenhos, para pro-duzir uma HQ onde se contava as lendas dos deuses Orixás, como é a criação do Mundo pela lenda deles. O Alex colocou no Proac, incenti-vo do governo do Estado para produzir quadrinhos, e passamos, ban-camos a impressão e o Alex levou pra Nobel distribuir para a gente. Ano passado o Alex publicou independente Orixás - O dia do Silên-cio, também comigo e o Caio Majado, onde republicou 3 HQs que produzimos para a revista Orixás, da editora Minuano, se não me en-gano. Ambas as HQs são inéditas com o tema Orixás nos quadrinhos onde a obra não aborda o tema religioso e sim cultural sobre os Deu-ses africanos, numa abordagem mais mitológica sobre os Deuses Ori-xás.

Múltiplo: Algum outro trabalho te chamou a atenção?
Omar Viñole: Olha, já fiz tanta coisa e tenho um carinho por todos eles, sem dúvida, junto com Yeshuah, Zé do Caixão, Depois da Meia Noite, Orixás e Coelho Nero, não pode ficar de fora a Tianinha, uma HQ erótica de 4 páginas mensais que produzi com o Laudo (roteiro e desenhos) durante 9 anos para a Editora Rickdan. Tianinha saía na revista Total, revista masculina de baixo valor, formatinho, para as bancas e todo mês tinha uma aventura com uma loira gostosa que gostava de muita sacanagem, não só corporal, mas nas suas histórias também onde tinha muito humor. Criamos muita coisa lá, eu dava algumas ideias para o Laudo que desenvolvia as histórias dela. O Laudo convidou muita gente para participar da HQ, Marcos Pereira que fez as primeiras histórias com a loira, Leonardo Santana, Emir Ribeiro, Daniel Brandão e muitos outros.

Múltiplo: Como você acompanha o mercado alternativo de fanzines e revistas nacionais?
Omar Viñole: Infelizmente conheço muito pouco a produção de zines. Com o crescimento das HQs independentes, creio eu, que os zines saíram um pouco do foco, coisa que, antigamente, a produção de zines era muito grande, pois era a forma que se tinha de fazer uma “HQ” independente. (Risos)

Múltiplo: Qual personagem criado por você é seu favorito?
Omar Viñole: Que produzo só o Coelho Nero mesmo, por enquanto! Rsrs. Tenho outros personagens que ainda quero fazer uma história em quadrinhos, mas o tempo não deixa me dedicar muito. Então o meu favorito, até o momento, é o Coelho Nero! Rsrs
Múltiplo: Como é produzir e-HQs? Conteúdo online vem tomando conta do cenário, como vê essa forma de produzir?
Omar Viñole: Acredito que toda forma da pessoa disponibilizar uma HQ é válida. Nem todo mundo consegue publicar com uma edi-tora e sabendo como divulgar tem como atingir um grande público pela internet, disponibilizando para a leitura. Conheço o Pessoal do Petisco que estão sempre produzindo e publicam semanalmente suas histórias no site. Tem várias publicações em blogs, Wordpress, sites de quadrinhos, tiras na net. E hoje tem também a Social Comics onde tem um crescimento grande de público que lê HQs em tablets e celu-lares.

Múltiplo: Poderia falar de novos artistas? Dos antigos, quem inspira você? Quem pode ser considerado “o cara” para você?
Omar Viñole: Para mim é difícil eleger um cara só. Gosto de vários desenhistas com estilos diferentes. Will Eisner, John Byrne, Alan Da-vis, Walter Simonson, Paul Smith, Moebius, são alguns dos meus de-senhistas favoritos. Novos, nem sei se é novo (rsrs), mas o Chris Sam-nee é um que gosto muito do estilo de desenho dele. Tem o Stuart Immonem que também curto muito. Posso ficar o dia todo lembrando de algum e vai ficar faltando! Rsrs

Múltiplo: Como você definiria Omar Viñole?
Omar Viñole: HAHA! Não sei. Simplificando, acho que gosto das coisas simples, gosto da minha vida do dia-a-dia, paz, tranquilidade, essas coisas! Rsrs

Múltiplo: HQs ou tiras? Qual sua preferência?
Omar Viñole: Tanto como leitura quanto a de produzir, gosto dos dois. Faço as tiras do Coelho Nero porque é mais rápido, e não sou roteirista, então...rsrs

Múltiplo: Onde podemos encontrar trabalhos seus?
Omar Viñole: Em livrarias, sites, blogs, Social Comics e direto comi-go também! Rsrs

Múltiplo: Já lidou com a produção de fanzines?
Omar Viñole: Sim. Muito tempo, quando comecei a conhecer outras pessoas que gostavam de desenhar, ler quadrinhos, me juntei com uns amigos e fizemos uns zines. Isso foi em 1991, por aí!
Múltiplo: Como começou a desenhar?
Omar Viñole: Desenho desde que me conheço por gente, sempre gostei. Passava o dia na frente da TV assistindo desenhos e fazendo desenho. Sempre dizia que queria trabalhar com isso e aqui estou! Rsrs

Múltiplo: Voltando um pouco, o que acha de trabalhar em parceria?
Omar Viñole: Gosto bastante. Eu não sou roteirista e preciso que alguém faça a história para mim ou desenvolva alguma ideia que te-nho na cabeça. Eu gosto mais de fazer arte-final que desenhar, então sempre estou finalizando ou colorindo trabalhos dos outros. Acho legal porque posso estar sempre mexendo com desenhos de estilos diferentes. No momento estou me dedicando mais aos desenhos também, mas sem deixar de pintar trabalhos de outros artistas.

Múltiplo: Considera seu trabalho crítico? Por quê?
Omar Viñole: Com o Coelho Nero sim. O Nero é meu personagem onde posso usá-lo para criticar ou fazer alguma piadinha do que acho que deveria ser diferente. Toda piada tem uma crítica por trás, não?! (Risos). O mundo está cheio de coisas que podemos usar para criticar e, claro, nós mesmos!

Múltiplo: Já publicou profissionalmente?
Omar Viñole: Sim. Bastante. Sempre mais fazendo arte-final e co-res.

Múltiplo: Se já, o que e onde? Acha que vale a pena trabalhar com quadrinhos?
Omar Viñole: Tenho vários trabalhos que publiquei com o Laudo Ferreira. Tianinha, Yeshuah, Depois da Meia-noite, Histórias do Clu-be da Esquina, o Auto da Barca do Inferno e muitos mais.
Tenho também a HQ dos Orixás do Orum ao Ayê que fiz com o Alex Mir e Caio Majado, fiz as cores pra HQ Quarta-feira de Cinzas, do Marcelo Saravá, participei de duas HQs do São Paulo dos Mortos, do Daniel Esteves. Sempre vale. Não é um trabalho fácil, mas não tem ninguém que faça quadrinhos pela simples obrigação de fazer, sem-pre é porque gosta.

Múltiplo: O que falta para se ter um Quadrinho Nacional organizado e valorizado?
Omar Viñole: Olha, não sei, mas falta mais dinheiro, investimento, e ver os quadrinhos como um produto, também, que tem potencial para se produzir e ganhar a vida com isso. Qualquer negócio precisa ter dinheiro para que se pague pelo trabalho, contratar profissionais, que tem aos montes aqui, e fazer com que chegue ao leitor/consumidor. Nos últimos anos melhorou muito e tem muita gente q vive produzin-do quadrinhos, mas estamos no começo ainda. Teria que ter mais di-vulgação, mas acho que estamos no caminho. Essas coisas levam tem-po. Rsrs

Múltiplo: O que você busca quando busca HQ?
Omar Viñole: Quando quero ler uma HQ? Bons desenhos e que a história me divirta. Simples assim! Rsrs
Múltiplo: Nos fale da sua trajetória no universo de HQ.
Omar Viñole: Nascido em Lisboa, Portugal, Omar Viñole começou sua carreira no início dos anos 90, trabalhando em alguns estúdios como desenhista e arte-finalista. Participou da produção e desenvol-vimento dos personagens "Turma da Xuxinha" para licenciamento em 1997.
Omar desenvolve trabalhos com outros desenhistas tanto nas ilustra-ções como em Histórias em Quadrinhos.
Recebeu o prêmio Ângelo Agostini de melhor arte-finalista em 2003 e em 2015 pelo lançamento de “Yeshuah – Onde Tudo Está” participando como arte-finalista no álbum. Em 2009 recebeu o prê-mio HQ Mix de melhor publicação independente especial pelo” De-pois da Meia Noite”, em parceria com Laudo Ferreira.
Produz a web tira do Coelho Nero desde 2009, seu trabalho solo. Teve três indicações pelo HQ Mix, web tiras (http://www.coelhonero.blogspot.com.br) e publicação de tiras (Coelho Nero – Coisas que um coelho pode te di-zer):www.coelhonero.blogspot.com.br