segunda-feira, 3 de julho de 2017

GEDEONE MALAGOLA - MÚLTIPLO 9

Coluna “Ágata Desmond”

GEDEONE MALAGOLA
Gedeone Malagola foi um roteirista, desenhista, argumen-tista e editor de HQs brasileiro. Célebre pela criação do su-per-herói Raio Negro e pelas séries de terror O "O Lobiso-mem" e "A Múmia".

Bem, eu venho falar aqui de uma grande família que co-nheci, que por sinal, é do Gedeone Malagola.
Conheci essa família no ano de 1968, quando tive o prazer de conviver com eles. Gedeone era um grande profissio-nal, tinha dificuldades, um pouco com a visão, pois tinha um grau de miopia muito alto. Ele se casou com a Cleoni-ce, uma moça linda que chegou a ser Miss Brasil. Ele era simples, amante dos quadrinhos, só pensava nisso mesmo. Tive oportunidade de conhece-lo na intimidade do dia a dia, já que fiquei uns dias em sua casa.
Eles moravam num belo apartamento, tipo um galpão (es-tilo americano, onde não tinha paredes, era tudo aberto e lá do último andar via-se todo o Parque Xangai, localidade onde eles moravam).
Na época, conheci o empresário Sr. Arlindo, que era um dos donos da revista Melodia, onde publicava a revista do Juvêncio, um personagem também de novela, semelhante ao do Jeronimo, O Herói do Sertão, do Mestre Imortal Edmundo Rodrigues, que também desenhou o Juvêncio.
Entre o Juvêncio e o Jerônimo, O Herói do Sertão, havia uma diferença: Jerônimo não usava máscara!
Muitos falam que o Juvêncio era uma cópia do Jerônimo, pois a semelhança da história e tipologia dos personagens se identificavam. Gedeone era diretor artístico dessa edi-tora Melodia, foi ele quem trouxe o artista Mestre Ed-mundo Rodrigues para morar em São Paulo, já que os ar-tistas trabalhavam como Freelancer também para outras editoras em São Paulo. Edmundo Rodrigues e Gedeone trabalhavam para o Miguel Penteado, da Edito-ra Gep.
Miguel era simplesmente fantástico, era o dono da edito-ra, amigo de todos, ajudou os desenhistas do Brasil que o procuravam. Vários artistas passaram por lá. Nesse come-ço, a revista que mais vendia era a do Gedeone, “Raio Ne-gro”, com grande sucesso, seguida do Fantar, O Monstro Atômico, que vendia também muito, mas nunca conseguiu ultrapassar o "Raio Negro". Vários artistas transitavam pe-la editora Gep, mas era no botequim que Miguel resolvia seus trabalhos.
Era uma pessoa boa, tinha ideias políticas que, às vezes, deixava a família preocupada, ele era alvo da DPF, que re-presentava a censura.
Todas as revistas tinham que sair com essa sigla DPF, a re-vista que não trazia na capa essa sigla era apreendida e queimada.
A ditadura Militar durou de 1964 até 1985, foram 20 anos de liberdade (“) vigiada e pressionada. Mas mesmo assim ele continuava a produzir os Gibis! Ele não parava e troca-va de personagens para enganar a censura. Miguel Pente-ado lutou muito para que a profissão de desenhista fosse reconhecida, mas Jânio Quadros, não tendo êxito nisso, fundou, com Jayme Cortez, a editora Continental, que de-pois foi editora Outubro e Taika. Outros artistas circula-vam por lá. Queiroz foi, durante muito tempo, o meu cice-rone em São Paulo, me levava para conhecer as ruas pró-ximas da Liberdade. Conheci muita gente boa lá, Igná-cio Justo, Jayme Cortez, Estevão La Selva, Horley Chiodi e outros. Bem, voltamos ao Gedeone Malagola, além de de-senhista e roteirista, ele era advogado e trabalhava na de-legacia de polícia, e constantemente estavam na academia de artes marciais, ele e seu amigo, o Mestre Edmundo Ro-drigues.
Certa vez o Gedeone ficou chateado com o Miguel porque ele havia trazido do RJ um rapaz e pagava o preço da pá-gina mais caro, por conta disto o Gedeone ficou chateado e não quis mais desenhar o Raio negro. O Raio Negro foi desenhado até o número 12 pelo criador Gedeone, sendo que o de número 13 ele pediu ao Edmundo que desenhas-se para ele. Esse foi o último número do Raio Negro. Mi-guel deu oportunidade também a Marvel Comics, lá pelos anos de 1969. Outros personagens famosos: Pele de Co-bre, Super Argo, Histórias Caipiras de Assombração, fize-ram parte do acervo da Gep. A Gráfica e Editora Miguel Penteado, tinha vários títulos no mercado tais como: guer-ra, terror, humor, infantil, super-Heróis.
Miguel Penteado era um artista completo, desenhava, pin-tava, fez muitos gibis para a Editora La Selva além de ca-pas.
Os últimos trabalhos de Gedeone que alcançaram certo apelo popular foram "O Lobisomem" e "A Múmia", que datam da metade dos anos 1970, para a Minami-Cunha (editores de Minami Keizi e Carlos da Cunha). O título "O Lobi-somem", produzido com o desenhista Nico Rosso, teria ao longo dos anos, duas republicações, sendo a última uma edição especial da editora Opera Gra-phica em 2002.
Gedeone colaborou ainda com os jornais A Nação, O Esporte e Diário Popular, publicando suas tiras.
Foi colaborador de algumas edições da Revista Mundo dos Super-Heróis da Editora Europa onde escrevia sobre personagens da Era de Ouro dos Quadri-nhos e das tiras de jornal, estava escrevendo livros sobre quadrinhos, intitulado “Jornada nos Quadrinhos” e outros dois sobre os personagens Buck Rogers e Flash Gordon.
Após enfrentar problemas de saúde durante vários anos, Gedeone Malagola veio a falecer às 14h do dia 15 de setembro de 2008, aos 84 anos, após três paradas cardíacas causadas por uma grave infecção, que o manteve internado por mais de um mês no Hospital São Vicente, em Jundiaí, SP.